Adeus Pandemia

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Uma conversa sentida dirigida à pandemia e das “saudades” que nos vai trazer, num momento de adeus. Um grande adeus ao flagelo e um sem número de outras coisas que nem sequer nunca nos tínhamos lembrado… Principalmente para quem ficou mais tempo em confinamento, porque houve quem continuasse com os seus trabalhos, com os devidos cuidados, mas a trabalhar com a “normalidade” possível.

Devemos agradecer as coisas boas e as coisas más, porque todas elas são fonte de aprendizagem. E isso é um facto indiscutível, só que preferimos sempre as coisas boas e declinamos as coisas menos boas, não é verdade?

Certo também é que a pandemia nos levou a olhar para a vida de uma forma diferente e confesso que esta nova forma de ver as coisas também tem um lado bom, do qual vamos dizer adeus, em jeito de cortesia… Ou melhor, vamos dizendo, já que com o desconfinamento gradual, é caso para dizer que as despedidas também vão ser graduais. E dessas talvez até venhamos a ter algumas saudades.

Adeus Pandemia
Adeus Pandemia

Um pouco cansada das tantas coisas desagradáveis que ela nos trouxe, prefiro agora tirar partido das coisas boas:

  • Ter o conforto da casa: quantas pessoas antes se queixavam que mal tinham tempo de ir dormir a casa?
  • Poder retomar as leituras: os livros que já estavam a ganhar mofo, à espera de serem lidos, assim que houvesse tempo.
  • Estar a 5 minutos de uma reunião: sem ter aquele tempo de antecedência todo, para o percurso até ao destino, estacionar, pagar parqueamento, etc. 
  • Fazer as próprias refeições: saber o que comer, criar receitas novas, dar tempo e carinho aos cozinhados, fazendo desse momento muitas vezes o mais importante do dia… sem ser o comer por comer.
  • Estimular a criatividade: com tanta hora em casa, foi preciso ocupar o tempo com artesanato, fazer arrumações, criar hortas, arranjar os vasos e flores e descobrir alguns gostos pessoais já esquecidos (pense em quais!).
  • Vestir roupas práticas e confortáveis: às vezes não sabemos mesmo o que vestir, e estando em casa, bastou apenas pensar numas roupas práticas e funcionais, sem pensar muito se combina ou não.
  • Usar chinelos o dia todo: ufa e para mais com os joanetes, nem sei como voltar a “enfiar” os pés novamente em certo calçado e nem sei como andar novamente nos saltos.
  • Estar próximos (pais e filhos) da família nuclear: já pensaram em estar numa reunião e poder fazer um intervalo para dar “colinho” e também umas reprimendas, claro, sem esperar pelo final do dia, pelo regresso das escolas e creches;
  • Ser obrigado a entrar no digital: se não fosse assim, muitos iríamos adiar mais uma vez o digital, privilegiando o presencial e agora passamos a conhecer estes 2 “mundos” e entendemos o quanto eles precisam de coabitar daqui para a frente.
  • Ter hábitos novos de compra online: quem é que até escolhia comprar umas roupinhas depois de assistir a lives do Facebook? Antes da pandemia seria quase impensável e depois de desmistificar estas modalidades, já dá para entender o quanto é confortável e seguro comprar online.

Façamos então as despedidas graduais, porque as certezas de que este adeus é para sempre ainda está longe de ser um facto real (como tanto queríamos). Resta-nos a esperança de que cada vez mais nos aproximamos desse adeus à pandemia… e essa esperança e fé… ninguém nos pode tirar!

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