
O que é o Natal?
Natal ou Dia de Natal, como é do conhecimento de todos, é um feriado comemorado em 25 de Dezembro, pretendendo celebrar o nascimento de Jesus, segundo a Igreja Católica. Assume-se como uma festividade cristã, sendo considerado um dia santificado cristão, em que se trocam presentes e cartões de Natal, e em que se prepara a ceia de Natal (a consoada na véspera), prolongando-se as comidas especiais para o dia 25. Mas e então, é só isso, um dia tradicional cristão para celebrar?
Iguarias e Doçarias…
Muitas famílias anseiam por este dia o ano todo, na certeza de que é a data em que todos se reúnem. Sendo uma época marcada por muitas iguarias, em muitas mesas portuguesas podemos encontrar o bacalhau cozinhado de várias maneiras (o mais comum é cozido com couves, mas também pode ser assado no forno), o polvo (em salada ou prato principal) e o peru (normalmente assado no forno ou recheado).
Quanto às doçarias, já temos mais por onde escolher, já que temos: as rabanadas; o arroz-doce; os coscorões; as filhós (para muitos as filhozes que em bom português nem sequer existem, sendo “filhó” o singular e “filhós” já o plural); o leite creme, entre outras e, claro, o tronco de Natal e o Bolo Rei ou Rainha. Claro que os mesmo muito gulosos ainda terão bombons de chocolate, uns com licores ou outros recheios, outros ingredientes, ou mesmo outros tipos de chocolate. Hum… e com isto, já todos estamos a salivar…
Momento em Família…
Naturalmente que todos as famílias devem estar unidas! A questão aqui é se todos os seus membros se sentem verdadeiramente em família? Quero dizer, se se sentem muito bem integrados nesse contexto e verdadeiramente com vontade de ali estar, plenos de amor e alegria (como deve ser, ou devia ser!) e em paz e comunhão de espírito! Ou se sentem que estão a “cumprir pena”, como se fosse mais uma daquelas refeições domingueiras em família, daquele género: “tem que ser”; “vamos lá, comemos e pisgamo-nos” e além do mais “sempre fica mais barato do que ir comer fora e assim nem é preciso lavar os pratos no final”. Também pode ser um daqueles momentos mais ou menos neutro, que tem a ver com aquele típico: “vá lá… pelas crianças”, para poderem conhecer os tios e as tias e assim “sempre ganham umas roupinhas e outras prendinhas” daquelas que caem sempre bem!
A Troca de Presentes…
Neutro ou não, será que o momento top ou mais “fashion” de todos é o momento por excelência da troca dos presentes? Caso para dizer que há brinquedos que “só rodam” nesta época. Então e as novidades “hi-teck” que parece que milagrosamente saem nas quadras natalícias também. Quanto a perfumes e “à chuva” de publicidades, sou forçada a pensar que só podemos cheirar pior nesta época, a julgar pelos tantos perfumes publicitados. E os livros cujos autores colocam a sua veia inspiradora a trabalhar, de maneira a saírem fresquinhos entre novembro e dezembro. Para não falar das novidades musicais, porque agora o digital leva a um maior número de downloads minimizando a compra dos álbuns e os singles de outrora, mas quem é colecionador, felizmente que sempre compra. Os cartões de Natal, que antes comprávamos na papelaria e até ajudávamos algumas instituições carenciadas, são agora maioritariamente substituídos pelos cartões virtuais de Natal, amplamente distribuídos por entre as redes sociais. A lingerie e as meias é que não podem faltar e lá está, sempre dá para todas as idades, e mesmo que sejam escolhas feias e ultrapassadas, ao menos ficam no resguardo e só quem as usa é que as vê! Bom bom mesmo são os bombons, com lacinhos e laçarotes, de formas diversas: em bola, em estrela, em animais, ovais… em tantos pacotes e pacotinhos, de tantas mas tantas cores que chega a ferir a vista e… atrevo-me a dizer a incomodar a carteira, porque quanto mais embonecado o pacote, menos é a quantidade que lá vem dentro.
Seja qual for o presente, antes de o comprar, pense bem como se sente no momento de o comprar! Fica o alerta que muitas vezes os presentes são comprados “por obrigação”: “porque fica mal não dar nada”, “porque parece mal comprar nas lojas do 1 ou 2 euros” ou “tenho de levar algo mais caro, para se perceber que gastei dinheiro”. E quando assim é, quando são recebidos, podem ser geradas associações internas que despoletam emoções comumente desconfortáveis. Se já não foi um presente comprado com a tal energia carinhosa e de ternura, independentemente do preço, coisa boa não poderá daí advir!
Bom para os comerciantes sim, mas nem tanto este ano, tão atípico de todos os outros, substituindo muitos este ano a figura do “pai natal” pelo senhor da “transportadora”. Ou seja, para não nos expormos tanto aos vírus nos shoppings, permitimos que venham a casa os tais entregadores de encomendas que nos podem na mesma trazer o vírus a casa. Seja como for, que haja presentes para todos e esqueçamos por momentos o tal “senhor Covid 19” que em breve nos irá deixar…

Espírito de Natal…
Então e os sininhos a tilintar, os enfeites da árvore de Natal, envoltos das luzes a piscar, os lindos presépios, as músicas natalícias (as de todo o ano), o comboio de Natal a circular por algumas cidades, o Pai Natal preparado para as fotos com as crianças no seu cadeirão e o seu carrinho de renas?
Tudo isto tem muita piada, mas quando temos o espírito para aí voltado! É de tradição desejar Bom Natal ou Boas Festas a todos e eu também o faço e irei continuar a fazer… Permitam-me que partilhe convosco que eu nem gosto lá muito do Natal, porque para alguns é apenas uma quadra para mascarar com tanto brilho a verdadeira essência do que é o Natal. Talvez isso se deva em parte à vertente comercial que impera face ao real significado da quadra, e muitos dos presentes preconizam o materialismo, perdendo-se o simbolismo da afeição presente nas “pequenas grandes” atitudes, atitudes que deveriam estar sempre presentes e não apenas num só dia.
Não é exatamente um “dia como os outros”, por estarmos a celebrar uma quadra festiva, mas deixemo-nos de fantuchadas… Num dia, numa semana, é só amor, luz, união, palmadinhas nas costas (agora só virtuais!), beijinhos e abraços (também virtuais!!), sorrizinhos e muitas saudades. Então e o resto do ano???
Agora que temos estado tão confinados ao vírus Covid 19, creio que todos aprendemos muitíssimo bem o real significado da palavra “confinamento”. Então e será que devíamos confinar este espírito só para esta época? Eu cá sou a favor de que o verdadeiro ESPÍRITO DE NATAL DEVERIA EXISTIR TODO O ANO!! As pessoas iriam sentir-se mais amadas, mais compreendidas, mais generosas, mais unidas!!! Já que vamos DESCONFINAR em breve desta pandemia, porque não DESCONFINAR também o ESPÍRITO DE NATAL e sermos amorosos, reais e verdadeiros todos os dias do ano? Para quê confinar o Natal a um só dia, se o podemos prolongar para o resto do ano. Concordam comigo?
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